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Para quem deseja fazer uma observação mais acurada do céu existem muitos recursos. Um bom binóculo, com boa qualidade e tratamento ótico, que nem precisa ser dos mais potentes, ou um telescópio. Existem telescópios para amadores, a preços acessíveis, que vão lhe oferecer momentos inesquecíveis. Siga estas instruções e comece a se familiarizar com eles.
 

BINÓCULOS


Muitas descobertas astronômicas foram feitas com binóculos. O astrônomo amador inglês George Alcook (1911- ), mestre-escola aposentado, descobriu quatro cometas e várias supernovas com o seu binóculo. Recentemente, em plena era espacial, conseguiu competir com o IRAS — Infrared Astronomical Satellite (Satélite Astronômico Infravermelho) ao descobrir o cometa IRAS-Araki-Alcock (1983d).

Na realidade,
um bom binóculo é um instrumento excelente para acompanhar determinados fenômenos como os eclipses da Lua, a luz cinzenta do satélite, os cometas, os aglomerados estelares, as nebulosas, as estrelas variáveis etc. Não convém jamais usá-lo para a observação direta do Sol, devido ao risco de provocar a queimadura da retina e, em conseqüência, a perda da visão.


À medida que o diâmetro da objetiva aumenta, os binóculos permitem a observação de estrelas menos brilhantes:


Atenção: para a observação astronômica, não é preciso de um binóculo com grandes aumentos. Quando usamos um binóculo na observação do céu, o nosso objetivo não é ampliar o objeto celeste — o que desejamos é ver melhor”, ou seja, usar o máximo de luminosidade (o que vai depender do seu diâmetro) para perceber os objetos menos luminosos. Por isso, os modelos mais aconselháveis à observação astronômica são os com maior objetiva e com tratamento ótico específico, pois proporcionam uma visão mais definida, com luminosidade e contraste mais perfeitos.

Antes de começar a utilização de um binóculo, convém seguir as seguintes etapas e regulagem:

       1 - Fechar o olho direito, ou melhor, tampar a objetiva direita com a mão, e colocar a imagem em foco para o olho esquerdo, utilizando o ajuste de foco.
       2 - Fechar o olho esquerdo, ou seja, obstruir a objetiva esquerda com a mão e colocar a imagem em foco para o olho direito, deslocando a ocular direita.
       3 - Afastar as oculares de modo que as duas imagens venham a coincidir        (ajuste do IPD).
 

O QUE OBSERVAR NO CÉU COM UM BINÓCULO


LUA
- É o astro mais favorável à observação com um binóculo. Os binóculos com aumento mais forte mostram um conjunto de topografia lunar que irá permitir os primeiros passeios pelos panoramas lunares. Para isso será aconselhável ter um mapa da Lua, que vai possibilitar reconhecer as vastas planícies cinza, os grandes círculos ou crateras, os raios luminosos que partem da cratera de Tycho. Convém lembrar que as cartas lunares apresentam o norte para baixo e o sul para o alto, pois elas supõem as imagens invertidas dos telescópios.

ECLIPSES DA LUA - Um binóculo irá permitir acompanhar as principais fases do fenômeno, como, por exemplo, o momento em que a penumbra é observável — quando o limite da sombra se faz sentir. E muito interessante observar as diferentes tonalidades e colorações que ocorrem durante o evento.

JÚPITER - Os binóculos de boa qualidade ótica permitirão observar os aspectos do disco jupiteriano e os seus quatro principais satélites, que aparecerão como pequenos pontos luminosos. Será curioso acompanhar, de uma noite para a outra, as variações de posição desses satélites.

ESTRELAS - Os binóculos permitem separar as estrelas duplas mais afastadas, como as de Mizar e Alcor na constelação de Ursa Maior; Omega e Mu do Escorpião; Deita e Épsilon da Lira; Pi de Pégaso, Tau do Touro, Alfa do Capricórnio; Alfa da Balança, Teta de Órion, Gama de Ursa Menor, Alfa do Centauro etc. Os binóculos são úteis também para o estudo das estrelas variáveis, cujo brilho pode ser comparado com o das estrelas vizinhas.

AGLOMERADO E NEBULOSAS - Em virtude de seu campo muito luminoso e grande, os binóculos auxiliam enormemente os principiantes, que poderão reconhecer os aglomerados extensos, como as Plêiades e as Híades. Com auxílio de um atlas celeste será fácil localizar e identificar os aglomerados de Híades, Câncer, Perseu, Hércules. Do mesmo modo será fácil identificar a grande nebulosa de Órion e a galáxia de Andrômeda.

VIA LÁCTEA - Uma exploração da Via Láctea será uma das mais inesquecíveis viagens espaciais que um binóculo irá possibilitar. Milhões e milhões de estrelas, muito próximas ou muito afastadas entre si, irão permitir contemplar um dos mais belos panoramas do céu.

 
Existem dois tipos principais de instrumentos destinados à observação astronômica:
 

Os Telescópios Refratores e os Telescópios Refletores. A diferença básica entre eles, é como eles recebem a luz. O Refletor recebe por um espelho, e o Refrator recebe pela objetiva.

 

 O leigo costuma chamar telescópio, qualquer instrumento ótico de observação usado em Astronomia. Para o astrônomo, porém, esse termo se refere a um instrumento particular, chamado Telescópio Refletor. Como diz o nome, ele reflete a luz proveniente dos corpos celestes, e para isto se emprega, montado em um tubo aberto na sua extremidade superior, um espelho côncavo de superfície parabolóide, coberta com uma fina camada de alumínio ou prata, e um espelho tratado pelo mesmo processo, colocado perto da extremidade superior do tubo, inclinado 45 graus em relação ao eixo ótico do instrumento, pouco antes de os raios de luz convergirem no foco. Assim, consegue-se desviar para o lado o feixe de raios, fazendo-o chegar dentro da ocular pela qual se observa a imagem. Esse espelho pode ser substituído por um prisma retangular. O outro tipo de instrumento, é chamado de Telescópio Refrator. Este possui, na sua extremidade superior, um conjunto de duas ou mais lentes, a objetiva, que faz convergir no foco o feixe de luz proveniente do corpo celeste. Após a convergência, esse feixe diverge novamente, sendo observado a uma distância adequada por meio da ocular. Ambos prestam-se ao trabalho astronômico pelo amador.

A parte mais importante nos dois tipos de instrumento é a Objetiva, no Telescópio Refrator, e o Espelho no Telescópio Refletor. São também chamados simplesmente objetiva. Do seu diâmetro depende a luminosidade; quanto maior o diâmetro da objetiva, tanto maior a sua capacidade de captação de luz. Conhecer a distância focal da objetiva é muito importante, pois dela dependem os aumentos que podemos dar aos objetos celestes mais próximos (Lua, Planetas, Via Láctea, Aglomerados, Nebulosas, Sol(a observação do Sol deve ser efetuada com muito cuidado), etc.) da Terra. As distâncias focais mais em uso nos instrumentos para amadores variam entre 600 e 1200mm, com diâmetro da objetiva entre 30 a 100 mm para os telescópios refratores (lunetas) e até 150 mm para telescópios refletores
.
 

Ao se iniciar na Astronomia, é aconselhável começar com um instrumento de 60 a 76 mm de diâmetro de objetiva ou espelho. Ele fará com que você se habitue às práticas observacionais, podendo testar o seu grau de interesse pela Astronomia. Uma vez convencido do seu desejo de se dedicar às observações será aconselhável adquirir um telescópio de maior porte. Para um curioso das coisas celestes e que tenha preferência pelos objetos de fraco brilho, como cometas, nebulosas e galáxias, será uma boa opção a aquisição de um telescópio com maior diâmetro.


Os principais tipos de telescópios com relação à ótica utilizada são:

Telescópios Refratores

Utilizam lente ou conjunto de lentes na função de elemento primário de captura da luz ou objetiva. (são vulgarmente chamados de Lunetas, talvez pelo fato dos modelos mais comuns serem adequados principalmente para ver a Lua com uma boa qualidade de imagem).

O 'F' na imagem é o ponto focal do telescópio (ponto onde os raios de luz que incidem na ótica convergem).A distância da lente/espelho ao ponto focal é a distância focal do telescópio e determina as suas características.

Telescópios Refletores

utilizam um espelho primário côncavo para coletar a luz e formar a imagem. No telescópio refletor Newtoniano, a luz é refletida para um pequeno espelho inclinado em 45º que desvia a luz para uma abertura lateral do tubo, onde fica a ocular. São os telescópios de melhor custo-benefício encontrados, portanto muito indicados para o nível introdutório.

 

Telescópios Catadióptricos

empregam ambos elementos: espelho e lente, resultando em uma configuração que proporciona telescópios pequenos e portáteis e com ótimo poder de ampliação. No entanto requer maior tecnologia para serem fabricados o que os tornam mais caros.

 

Os tipos mais comuns de catadióptricos são:

  • Cassegrain, onde a lente frontal é uma lente plana.

  • Schmidt-Cassegrain, onde a lente frontal é uma lente complexa chamada de placa corretora, que tem a função de reduzir a aberração esférica do espelho principal.

  • Maksutov-Cassegrain, onde a placa corretora é uma lente chamada de menisco-divergente. Veja abaixo detalhe das duas principais variações do catadióptricp:

     

A ótica de um telescópio é composta por duas partes básicas:

Objetiva: Lente ou espelho ou combinação de ambos, que ficam direcionados para o objeto da observação (daí seu nome).

Ocular: Lente ou grupo de lentes que tem a função de levar a imagem da objetiva aos olhos.  

As Oculares


Oculares são lentes intercambiáveis que influenciam nas características óticas do telescópio possibilitando alteração no Aumento e na Qualidade das imagens.

Existe muitos tipos de oculares que vão desde a mais simples do tipo Ramsdem, com apenas dois elementos óticos, até as sofisticadas e caras Nagler com ótica de seis ou mais elementos. Cada tipo possui características peculiares quanto à largura do campo de visão, correção e eliminação de aberrações.


As características básicas dos telescópios:

Muitas pessoas que visitam observatórios astronômicos ficam curiosas para saber qual o aumento proporcionado por um telescópio profissional. Em geral, surpreendem-se bastante com a resposta, devidos aos baixos aumentos usados. Como é possível então que na propaganda de pequenos instrumentos para amadores sejam anunciados aumentos equivalentes ou mesmo superiores? A principal característica de superioridade dos telescópios é o poder de resolução, o qual é diretamente proporcional ao diâmetro da objetiva e determina a capacidade do telescópio em isolar e tornar acessível detalhes muito sutis. Portanto o Potência é o fator de menor importância na avaliação da qualidade de um telescópio. A Potência de um telescópio não deve ser colocado como principal característica.

O aumento no telescópio é uma característica variável e depende de dois fatores:

  • Distância focal do telescópio.

  • Comprimento focal da ocular.

Obs: A distância focal do telescópio é ajustada na construção do espelho ou lente e determinará as características fixas do telescópio.

Para calcular o aumento é só dividir a distância focal do telescópio pelo comprimento focal da ocular Ex: Aumento (vezes) = distância focal telescópio (em mm) / Comprimento focal da ocular (em mm)

Abertura (Luminosidade) - Dado de grande importância na qualidade da imagem de um telescópio, determina o poder de resolução e a quantidade de luz que o instrumento será capaz de capturar e consequentemente a capacidade de observar detalhes sutis de objetos de pouca luminosidade (galáxias, nebulosas e etc).

A Abertura ou Luminosidade depende da distância focal do telescópio e do diâmetro do espelho ou lente objetiva.  Ex:
Luminosidade = distância focal telescópio (em mm) / diâmetro do espelho ou lente objetiva (em mm)

Fazendo uma tabela das aberturas é possível, de uma maneira simplificada, classificar os telescópios da seguinte forma:

Abertura  (f)

Claridade

4

Muito claro

6

Claro

8

Claridade média

10

Pouco claro

12

Pouquíssimo claro

 Distâncias focais longas produzem maior aumento, mas, diminuem a luminosidade e estreitam o campo de visão. Também deixam os telescópios mais longos e difíceis de transportar.

Distâncias focais curtas produzem menor aumento, porém com maior luminosidade e maior largura do campo de visão e facilita o transporte. A escolha depende da aplicação e do tipo de observação.

A montagem
é uma parte muito importante no conjunto. Deve ser firme e estável e permitir movimentos suaves e facilidade de posicionamento em qualquer parte do céu, ou você passará as noites brigando com o telescópio ao invés de observar o céu.


Há dois tipos básicos de montagem:

  • Azimutal, muito simples e muito usada em construções caseiras de telescópios na versão conhecida como montagem Dobsoniana. Ela proporciona um movimento de rotação da base com eixo perpendicular ao solo, e o movimento basculante do tubo do telescópio.

  • Equatorial, mais avançada e firme, proporciona o acompanhamento completo do movimento de um objeto ou astro. Um dos eixos de movimentação deve apontar exatamente para o polo celeste. Após o correto posicionamento, atuando apenas em um dos controles você acompanha a trajetória do objeto no céu em sua plenitude.

Nos dois tipos de montagem existem versões equipadas com motores, conhecido como 'Clock Drive', que compensam a rotação da terra e mantém o telescópio fixo na observação. No caso de astro-fotografias o 'Clock Drive' é um requisito obrigatório.

Com relação à montagem Dobsoniana vale ressaltar que ela vem sendo largamente utilizado na astronomia amadora mundial, devido às possibilidades de construções extremamente portáteis. Mesmo telescópios com espelhos de até 40 polegadas podem ser transpórtados em automóveis ou pequenas vans. Esses telescópios conhecidos como Super-Leves ou Ultra-Leves solucionaram o problema do transporte de grandes telescópios e é uma boa opção para aqueles mais familiarizados com montagens e que desejam um telescópio maior e com maior qualidade.

 

COMO LOCALIZAR UM ASTRO NO CÉU


A localização de um astro pode ser efetuada por dois processos. Sua escolha vai depender essencialmente do sistema de montagem do telescópio. No caso de possuirmos um instrumento com
montagem equatorial, será bem mais fácil. Em caso contrário, o observador terá de usar o seu conhecimento do céu, especialmente das constelações, o que permitirá, por alinhamento entre as estrelas mais brilhantes, localizar um outro astro cujas coordenadas foram colocadas num mapa celeste. Como você vai começar pela observação dos astros mais destacados e brilhantes, vamos por ora nos limitar a descrever esse sistema.
 

SISTEMA DE ALINHAMENTO


Uma vez localizado o astro que se deseja observar numa
mapa celeste, por alinhamento, devemos procurá-lo na região onde se encontra. E muito difícil apontar o telescópio logo na direção exata. O melhor será usar o buscador. Depois, olhando pelo buscador, procurar colocar o astro no meio do retículo, ou seja, no centro do campo. Se o eixo ótico do buscador estiver bem alinhado (paralelo) com o telescópio, o objeto deverá aparecer no centro da ocular. No início de uma observação, deve-se utilizar uma ocular de pequeno aumento (de comprimento focal maior), que irá fornecer um campo visual mais extenso e maior luminosidade.


Ao se trocar a ocular por uma de maior aumento, no caso de tentarmos observar detalhes na superfície da Lua ou de um planeta, deveremos ajustar o foco, deslocando-se a ocular para a frente e para trás na porta-ocular. A imagem que iremos observar será em geral invertida. Assim, o que está no mapa acima observaremos através d
o telescópio embaixo.
Em conseqüência, o que estiver à direita será observado à esquerda, e o que estiver à esquerda será visto à direita. Desse modo, um objeto celeste situado à direita e em cima de uma estrela deverá ser procurado á esquerda e embaixo desse astro de referência. Não podemos esquecer que, devido à rotação terrestre, num campo visual de 1 grau de diâmetro o objeto celeste em observação desaparecerá do campo do outro lado da ocular em 4 minutos. Será preciso deslocar continuamente o telescópio para continuar a observação.
Telescópios mais mais sofisticados acompanham automaticamente o movimento terrestre.

 

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  terça 06 janeiro, 2009

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